quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rysum


Esta pequena povoação (com 400 metros de diâmetro,14 hectares, 750 habitantes) fica situada no distrito de Krummhörn, a noroeste da cidade de Emden.
A sua origem remonta ao século X com o nome de “Hrisinghem”. Só mais tarde depois de ter outros nomes, “Risum“ (1355) e “Hrysengum“ (1424), é que em 1438 passou ao nome actual.
É uma povoação do tipo “Warfendorf“, que significa um lugar edificado sobre uma colina artificialmente formada, para permitir uma pequena elevação como protecção da água nas terras baixas. Este tipo de povoações é típico de algumas zonas dos Países Baixos, Alemanha e Dinamarca, especialmente antes das zonas serem protegidas por diques.

Maqueta da povoação existente no moinho

Rysum fica 6 metros acima do mar. Essa elevação nota-se no declive das ruas que quase como raios de uma circunferência se afastam do centro.
Local de extremo sossego, quase sem carros, casinhas pequenas, todas bem conservadas e com muitas flores. Praticamente o único som que se ouve é o chilrear das aves, que são muitas. Faz lembrar o ambiente calmo de algumas ilhas frísias, onde não chegam os carros.
O almoço foi no único restaurante de Rysum. Com o dia esplêndido só podia ser ao ar livre. As salsichas eram Rysumer caseiras, feitas pelo próprio restaurante.
A igreja local tem no seu interior uma preciosidade que vale a pena visitar e ouvir: um dos órgãos mais antigos do mundo (1457) e que ainda toca!


A visita ao moinho é também obrigatória. Em 1563 um chefe local doou por testamento os moinhos de Rysum e Loqard (povoação vizinha do mesmo tipo) aos seus habitantes. O moinho funciona e tem no seu interior um pequeno museu com os objectos próprios da moagem de cereais: mós, balanças, etc.
A vista que proporciona é também magnífica (ver foto inicial).
A casa do celeiro anexo pode albergar grupos até 16 pessoas para férias ou dormidas de passagem (muito frequentes nos grupos de cicloturismo). 
Uma visita que vale a pena. Sentimos que entramos e saímos noutra dimensão, não só em termos do espaço (aldeia pequena, casas pequenas, etc) mas também do tempo, em relação ao ritmo da vida, sossego, contacto com a natureza, com a música permanente dos passarinhos, e o banho de perfumes das árvores e flores.
Tudo gratuito (órgão da igreja, moinho, parque de estacionamento) excepto as salsichas :-)

Mais fotografias podem ser vistas aqui (clicar para ver o álbum).



Localização de Rysum

2 comentários:

  1. Reportagem interessante como de costume, mas esta, sobretudo, pela particularidade do tema.
    Salvaguardando as devidas diferenças, não é todos os dia que se vê uma moderníssima "reedição" de um povoado pré-histórico (há registos de povoados do neolítico com uma configuração e disposição idênticas nas zonas de planície da Península Ibérica, inclusive no Alentejo).
    Face a tamanho empenho no assunto, desconfio que ainda deve haver por aí qualquer ressonância filogenética...
    Caro amigo, o lote de fotos, que tão boa companhia faz ao artigo, está fabuloso...
    É caso para dizer, estás a viver uma Primavera em cheio.

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  2. É caso para se dizer que toda a gente se conhece!

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